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glossário

Para acompanhar as pautas abordadas pelo Programa, é importante conhecer
alguns conceitos que estão diretamente relacionados à Equidade de Gênero e
ao empoderamento feminino.


Auto-organização: refere-se a um grupo ou a uma reunião composta apenas
por mulheres. Esses espaços auto-organizados são importantes para que as
mulheres tenham lugares seguros para dividir umas com as outras que, perto de
homens, jamais se sentiriam à vontade para tratar.


Bropriating: é a união de “bro” (“cara” ou “irmão”) com “appropriating”
(“apropriar”), em inglês. Acontece quando um homem se apropria da ideia ou 
iniciativa de uma mulher, tomando os créditos para ele. Pode acontecer no
ambiente acadêmico, no trabalho e no dia a dia.


Culpabilização: é o processo de culpar as mulheres por situações como
estupro, assédio, por estarem envolvidas em relacionamento abusivo, entre
outros. Por exemplo, se uma mulher é estuprada e dizem que ela “estava
pedindo”, dizemos que a vítima foi culpabilizada.


Desconstrução: é o processo de desconstruir preconceitos, privilégios e
opressões. Dizemos “desconstruir” porque todos esses preconceitos, privilégios
e opressões parecem ser verdades incontestáveis, mas não são. Eles podem
ser desmontados e reconstruídos de uma forma menos violenta. Formas de
desconstrução incluem questionar piadas machistas, bater de frente quando
dizem que “lugar de mulher é na cozinha” e até não seguir os padrões de beleza
impostos.


Disparidade de gênero: o Instituto Andaluz da Mulher a define como a diferença
entre as taxas masculina e feminina dentro de uma variável, e calcula-se
subtraindo a taxa feminina da taxa masculina, ou seja, quanto menor for o índice
de disparidade entre homens e mulheres, mais perto estaremos da igualdade.
Normalmente se fala em brecha salarial de gênero (refere-se às diferenças
salariais entre mulheres e homens, tanto no desempenho de trabalhos iguais
como a decorrente da menor remuneração paga a trabalhos tidos como
femininos) e desigualdade tecnológica de gênero (designa as desigualdades
entre mulheres e homens na formação e no uso das novas tecnologias).
Empatia: é a capacidade de se colocar no lugar do outro e ver o mundo por meio
dos olhos dessa pessoa, compreendendo as condições e o contexto nos quais
ela vive, tentando se desfazer de preconceitos.


Empoderamento: segundo o dicionário, é a “Ação ou efeito de empoderar, de
obter poder”. Já o empoderamento feminino está ligado a uma consciência
coletiva por parte das mulheres e é constituído de ações tomadas por estas que
não se deixam ser inferiorizadas pelo seu gênero e tomam atitudes que vão
contra o machismo imposto pela sociedade.


Feminicídio: assassinato de uma mulher em função de seu sexo. Trata-se de
um crime de ódio contra mulheres e meninas pelo simples fato de elas serem
mulheres ou meninas. Diana Russel foi pioneira no seu uso (“femicide”, em
inglês) e costuma-se distinguir entre feminicídio íntimo (cometido por uma
pessoa com quem a vítima tinha ou havia tido uma relação sentimental) e não
íntimo (perpetrado por uma pessoa ou grupo de pessoas com quem a vítima não
tinha ou não havia tido nenhuma relação sentimental ou parentesco).


Feminismo: feminismo é um movimento social por direitos civis, protagonizado
por mulheres, que desde sua origem reivindica a igualdade política, jurídica e 
social entre homens e mulheres. Sua atuação não é sexista, isto é, não busca
impor algum tipo de superioridade feminina, mas a igualdade entre os sexos.
A palavra feminismo foi usada pela primeira vez na primeira metade do século
XIX pelo filósofo francês Charles Fourier (1772-1837), autor do livro “Teoria dos
quatro movimentos”, no qual afirma que o progresso da sociedade como um todo
tem como precondição a conquista de direitos pelas mulheres.


Femismo: é a ideologia que prega a superioridade do gênero feminino sobre o
masculino.


Gaslighting: o termo é usado para descrever a manipulação psicológica na qual
o agressor faz a vítima questionar sua própria inteligência, memória ou sanidade.
Quem sofre com o “gaslighting”, tende a desconfiar de suas próprias percepções
da realidade. “Você está louca”, “você está exagerando” ou “você está mentindo”
podem ser indicativos desse ato. O conceito, dado como violência psicológica, é
sutil e difícil de ser identificado.


Machismo: o machismo pressupõe que as mulheres são por natureza seres
inferiores aos homens. Também poderíamos dizer que é um conjunto de
crenças, práticas sociais, condutas e atitudes que promove a negação da mulher
como sujeito em diversos âmbitos. Os âmbitos nos quais o gênero feminino é
marginalizado podem variar (econômico, familiar, sexual, legislativo…), e, em
algumas culturas, dão-se todas as formas de marginalização ao mesmo tempo.


Mansplaining: a palavra foi criada a partir da junção entre “man” (“homem”) e
“explain” (“explicar”), em inglês, e ficou conhecida com a publicação do livro Os
Homens explicam tudo para mim, escrito por Rebecca Solnit. Na obra, a autora
conta diversos casos, como uma experiência sua – em que “um homem passou
uma festa inteira falando de um livro que ‘ela deveria ler’, sem lhe dar a chance
de dizer que, na verdade, ela era a autora”.
Assim, “mansplaining” é o termo usado para descrever a atitude de um homem
que tenta explicar algo a uma mulher, assumindo que ela não sabe sobre o
assunto, subestimando sua inteligência.


Manspreading: a palavra foi criada a partir da junção entre “man” (“homem”) e
“spread” (“espalhar” ou “abrir”), em inglês. É o termo utilizado para denominar o
ato de um homem abrir muito as pernas quando está sentado, o que acaba
diminuindo o espaço das pessoas sentadas perto dele. Foi criado para descrever
a atitude, que é comum no transporte público e em outros locais.
Manterrupting: essa é uma atitude que consiste em interromper a mulher
diversas vezes, de forma com que ela não consiga concluir sua linha de
raciocínio em uma conversa.


Misoginia: a origem da palavra misoginia vem do idioma grego e significa “ódio
à mulher”. O termo pode ser utilizado de diversas maneiras para indicar atitudes
como exclusão social, discriminação, hostilidade ou até mesmo violência.
Objetificação: quando uma pessoa é reduzida à condição de objeto. No caso
da objetificação feminina, a mulher é limitada à consideração da sua beleza física
e de seus atributos sexuais.


Opressão estrutural: quando um grupo inteiro sofre o mesmo tipo de
subjugação, imposto por outro grupo, que domina o espaço público. A opressão
estrutural pode ser dividida em três grupos principais: por sexo (afetando metade
da população mundial nascida fêmea humana), pela cor da pele (preconceito às
pessoas negras, pardas e qualquer outro grupo que não tenha a cor da pele
branca), que também pode ser descrito como “eurocentrismo”, e pela classe
social (ricos x pobres).


Patriarcado: sistema sociopolítico no qual o machismo se baseia. Nele, o
gênero masculino e a heterossexualidade têm superioridade em relação a outros
gêneros e orientações sexuais.


Sororidade: é do latim “soror”, que significa “irmã”, a palavra sororidade significa
a união entre as mulheres. Mas o conceito vai além, e sustenta que sororidade
trata de empatia e solidariedade real feminina. Isso inclui deixar de incitar a
rivalidade entre o gênero.